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Mostrando postagens de 2025

Cuidar Melhor é Urgente: A Realidade dos Lares e o Desafio da Demência em Portugal

  A recente reportagem que analisa a realidade dos lares em Portugal expõe dados que não podem ser ignorados: 75% dos idosos com demência não saem à rua , mais de metade apresenta défice cognitivo e 28% nunca recebem visitas dos próprios filhos . São números que, mais do que estatísticas, representam vidas isoladas, rotinas empobrecidas e um sistema que luta para dar resposta às necessidades crescentes da população envelhecida. A demência, ao contrário de muitas outras condições, exige cuidados específicos, presença humana, estimulação cognitiva, segurança e, acima de tudo, uma abordagem centrada na pessoa . Quando estes requisitos falham, as consequências são profundas: regressão funcional acelerada, maior agitação, perda de autonomia e deterioração emocional. Um retrato que exige ação imediata A reportagem revela uma realidade que muitos profissionais e familiares já conhecem bem: Muitos idosos passam dias inteiros sentados , sem atividades estruturadas. A estimulação co...

Diabetes nos Idosos: desafios, cuidados e qualidade de vida

A diabetes é uma das doenças crónicas mais comuns na população idosa, afetando significativamente a saúde, a autonomia e o bem-estar. Com o aumento da esperança de vida, cresce também o número de pessoas com mais de 65 anos que vivem com esta condição, o que torna essencial compreender os seus desafios específicos e garantir cuidados adequados para esta fase da vida. Por que a diabetes é tão comum entre os idosos? Com o envelhecimento, o organismo passa por diversas alterações que contribuem para o aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2, entre elas: Redução da sensibilidade à insulina ; Aumento da gordura corporal , especialmente abdominal; Diminuição da atividade física ; Alterações hormonais associadas ao envelhecimento ; Presença de outras doenças crónicas , como hipertensão ou dislipidemia. Além disso, muitos idosos foram diagnosticados em idades mais jovens e continuam a viver com diabetes ao longo de vários anos, o que requer uma gestão contínua e aj...

Perda de memória nem sempre é demência: descubra outras causas possíveis

Quando um idoso começa a esquecer-se de compromissos, confunde nomes ou muda de comportamento, é natural que a família se preocupe e pense em demência . Mas nem sempre esses sinais indicam um processo neurodegenerativo. Diversas doenças e condições clínicas reversíveis podem causar sintomas semelhantes e o diagnóstico precoce é essencial para garantir um tratamento eficaz. Entendendo a demência: o que realmente acontece no cérebro A demência é uma síndrome caracterizada por declínio progressivo das funções cognitivas   memória, raciocínio, linguagem e comportamento  suficientemente grave para interferir nas atividades diárias. O Alzheimer é o tipo mais comum, mas existem várias formas, incluindo a demência vascular, frontotemporal e corpos de Lewy . Embora esteja mais associada ao envelhecimento, a demência não é uma parte normal da velhice . Os primeiros sintomas costumam incluir: Perda de memória recente; Dificuldade em realizar tarefas habituais; Desorien...

Caminhar pode atrasar o Alzheimer: o que revela o novo estudo da Nature Medicine

  A doença de Alzheimer continua a ser uma das maiores preocupações de saúde pública do século XXI. Com o aumento da esperança de vida, cresce também o número de pessoas em risco de desenvolver declínio cognitivo e, até hoje, ainda não existe uma cura eficaz. No entanto, a ciência tem revelado que alguns fatores de risco são modificáveis , ou seja, dependem em parte dos nossos hábitos diários. Entre esses fatores, a atividade física destaca-se como uma das estratégias mais promissoras para proteger o cérebro.  Mas quanto exercício é realmente necessário?  Caminhar todos os dias faz mesmo diferença? Um estudo recente publicado na revista Nature Medicine (2025) traz novas respostas. Investigadores analisaram centenas de adultos sem sintomas de Alzheimer e descobriram que quem se movimenta mais apresenta uma progressão mais lenta das alterações cerebrais associadas à doença   especialmente no acúmulo da proteína tau, um dos principais marcadores do Alzheimer. Mais d...

A Depressão Sorridente: Quando o Sorriso Esconde a Dor

  O que é a depressão sorridente? A depressão sorridente pode ser definida como a externalização de sentimentos de felicidade e completude, enquanto o interior sofre com os sintomas da depressão . Não é simples identificar esse tipo de depressão, nem mesmo nas pessoas mais próximas. Isso acontece porque quem sofre desse mal já se acostumou a conviver com ele, aprendendo a esconder suas emoções e mostrando apenas o que o mundo espera ver: um sorriso, bom humor e aparente equilíbrio. Por dentro, porém, há tristeza, exaustão e vazio . Muitas vezes, a pessoa não aceita sua condição ou evita buscar ajuda por medo do julgamento alheio. O medo de “parecer fraca” ou “ingrata pela vida que tem” faz com que ela silencie sua dor e o sorriso torna-se uma máscara. Por que a depressão sorridente é tão perigosa? A depressão sorridente é perigosa justamente porque passa despercebida . A pessoa mantém sua rotina, trabalha, estuda, cumpre compromissos e, aparentemente, leva uma vida “normal...

Entre a Dor e a Aceitação: As Etapas do Luto e a Recuperação Emocional

O luto chega sem pedir licença. Traz silêncio, lágrimas e um turbilhão de sentimentos difíceis de compreender. A dor da perda é uma parte inevitável da vida, mas também um caminho de transformação. Embora cada pessoa sinta e expresse o luto de maneira diferente, há etapas que costumam marcar esse percurso — desde a negação até a aceitação. Entender essas fases pode ser um passo importante para acolher a própria dor e aprender a viver novamente. O luto é um processo natural de adaptação emocional e psicológica diante de uma perda significativa  seja de uma pessoa amada, de uma relação, de um trabalho ou de qualquer outro vínculo importante. Trata-se de um processo pessoal e único , que visa restaurar o equilíbrio interno e familiar rompido pela perda. Embora existam modelos diferentes, as fases do luto não seguem necessariamente uma ordem fixa. Cada pessoa pode vivê-las de forma distinta, com intensidades e durações variáveis.  Modelo das Quatro Fases do Luto Fase Inici...

O luto que começa antes e continua depois

  Às vezes, o luto começa muito antes da despedida e continua muito depois dela. Quem cuida sabe: há perdas que não se veem, mas que pesam todos os dias. Perdemos a rotina. Perdemos a função. Perdemos a ligação. Perdemos, pouco a pouco, a pessoa que éramos antes de tudo isso. A perda primária pode ser a despedida de quem amamos. Mas as perdas secundárias — aquelas que chegam depois — são, muitas vezes, as que mais doem: a ausência da rotina, o silêncio da casa, o vazio das tarefas, a sensação de já não saber quem somos fora do papel de cuidador. Reconhecer essas camadas do luto não é sinal de fraqueza. É maturidade emocional. É dar nome ao que dói, para que o corpo e o coração possam, lentamente, voltar a respirar. Permitir-se sentir é o primeiro passo para reencontrar-se. O silêncio sobre o luto Não temos o hábito e somos pouco incentivados a conversar ou refletir sobre nossos lutos ao longo da vida. Mas isso é essencial para encararmos as perdas e, dessa forma, seguirmos...

A importância da nutrição na prevenção e progressão da Doença de Alzheimer

  A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e representa um dos maiores desafios de saúde pública associados ao envelhecimento da população. Estima-se que em Portugal existam atualmente cerca de 200 mil pessoas a viver com demência, e que este número venha a aumentar nas próximas décadas, acompanhando o envelhecimento demográfico do país. Embora ainda não exista uma cura nem um tratamento que previna de forma definitiva a doença de Alzheimer, a ciência tem vindo a demonstrar que alguns fatores do estilo de vida podem influenciar o risco de desenvolver demência ou atrasar a sua progressão. Entre esses fatores, a alimentação e o estado nutricional assumem um papel de destaque. O  manual Nutrição e Doença de Alzheimer , lançado pela Direção-Geral da Saúde em parceria com o Centro Virtual sobre o Envelhecimento, vem precisamente reforçar esta ligação entre nutrição e saúde cognitiva. O documento reúne informação atualizada sobre a importância de uma dieta equilibrada,...

Sarcopenia: o que é, causas e como prevenir a perda de massa muscular com o envelhecimento

Já ouviu falar em sarcopenia ? Esse nome pode parecer complicado, mas o problema é bastante comum especialmente entre pessoas acima dos 50 anos. A sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda progressiva de massa, força e função muscular , que pode comprometer a mobilidade, aumentar o risco de quedas e reduzir a qualidade de vida. O que é sarcopenia? A sarcopenia é considerada uma doença muscular relacionada à idade , mas não é exclusiva dos idosos. É uma doença progressiva caracterizada pela perda de massa muscular, força e desempenho físico. Embora seja mais comum em pessoas com mais de 60 anos, o processo começa muito antes, por volta dos 30 ou 40 anos o corpo já inicia, lentamente, a perda de músculo. A partir dos 65, essa perda tende a acelerar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a sarcopenia como uma doença desde 2016, classificando-a no CID-10 sob o código M62.84. Principais causas A sarcopenia é multifatorial. Entre os principais fatores, estão: Envelh...

Prevenção de Quedas em Pessoas Idosas

Sabia que 70% das quedas de pessoas idosas acontecem dentro de casa ? Pequenos detalhes do dia a dia podem representar grandes riscos e com simples ajustes no ambiente e nos hábitos, é possível prevenir acidentes, preservar a autonomia e garantir mais qualidade de vida . 1. Mude hábitos e adote atitudes seguras A prevenção começa na rotina. Observe seus movimentos, faça pausas ao levantar-se da cama ou da cadeira e evite pressa nos deslocamentos. Pequenas mudanças de comportamento fazem uma grande diferença para a segurança e o bem-estar.  2. Torne sua casa um lugar mais seguro Como a maioria das quedas ocorre no lar, é essencial adaptar o ambiente: Mantenha boa iluminação , especialmente nos corredores e WC (use luz de presença à noite). Prefira tapetes emborrachados ou retire os que escorregam. Evite encerar o chão e repare pisos irregulares. Instale barras de apoio e pisos antiderrapantes no WC. Organize objetos de uso frequente na altura da cintura, evitan...

Viver em Ritmo com o Outono: Cuidar do Corpo, da Mente e da Alma

Tudo neste planeta é feito de ciclos desde as células e os átomos do corpo até ao macrocosmo. Quando vivemos em sintonia com o ritmo do mundo natural e com as mudanças subtis que acontecem à nossa volta, aprendemos a respeitar e honrar o nosso próprio corpo. Os elementos e as estações do ano ajudam-nos a compreender melhor os ritmos da natureza e da nossa própria vida.  Assim como tudo à nossa volta se transforma, também nós somos convidados a mudar, a adaptar-nos e a encontrar equilíbrio entre o exterior e o interior. Quando vivemos alinhados com as estações, respeitando o ritmo circadiano e os seus ciclos, alcançamos uma harmonia mais profunda física, emocional e espiritual. O Outono e a Sabedoria do Deixar Ir As árvores mostram-nos o caminho: perdem as folhas para conservar energia e sobreviver ao frio.  No microcosmo do corpo humano, o convite é o mesmo   soltar o que não precisamos , para nos tornarmos mais leves, flexíveis e resistentes para o Inverno que se ap...

Suicídio na idade sénior: quebrar o silêncio e cuidar da vida

Falar sobre saúde mental é essencial, sobretudo quando pensamos na população sénior. O suicídio em pessoas idosas é uma realidade muitas vezes invisível, envolta em silêncio e tabu, mas que precisa ser abordada com coragem, empatia e responsabilidade. O envelhecimento traz consigo mudanças profundas: perdas familiares e sociais, alterações na saúde física, maior isolamento, sentimentos de inutilidade ou solidão. Esses fatores podem aumentar a vulnerabilidade emocional e, em alguns casos, levar a pensamentos ou comportamentos suicidários. A importância de abrir espaço para o diálogo O silêncio pode ser um dos maiores inimigos da prevenção. É urgente criar espaços de escuta e acolhimento , onde os idosos possam expressar as suas angústias sem julgamento. Escutar, estar presente e valorizar a história de vida de cada pessoa são gestos fundamentais para a promoção do bem-estar. Cuidar da saúde mental nesta fase significa olhar para além dos sintomas: é compreender a pessoa como um todo...